Fraude Alimentar – Uma realidade no setor industrial

Recentemente temos ouvido falar sobre um assunto muito importante, tanto para o consumidor quanto para as indústrias produtoras de alimentos: a Fraude em Alimentos ou Food Fraud. O tema é tão importante que foi incluído nas normas de qualidade e segurança de alimentos.

A IFS FOOD, versão 6.1, de novembro de 2017, norma reconhecida mundialmente na área de qualidade e segurança de alimentos, define fraude em alimentos como “a substituição, adulteração ou falsificação deliberada de alimentos, matérias-primas, ingredientes, ou embalagens ou a alteração deliberada da rotulagem em produtos colocados no mercado com a finalidade de ganho econômico. Esta definição também se aplica aos processamentos terceirizados”. Em suma, além de serem consideradas crime, as fraudes em alimentos são atos ilícitos que sempre envolverão vantagem financeira, podendo (ou não) afetar a saúde do consumidor.

O assunto não é novo e podemos citar casos bem antigos pelo mundo todo, como a adição de dietileno Glicol (DEG) para aumentar o dulçor em vinhos brancos (Áustria, 1985), a adição de melamina em produtos lácteos para aumentar o teor de nitrogênio, resultando em um falso aumento do teor de proteínas (China, 2008), adição de carne de cavalo em hambúrguer, onde a rotulagem descrevia o produto como 100% carne bovina (Inglaterra, 2013) e recentemente no Brasil, entre 2015 e 2017, quando tivemos as operações “leite compensado”, na qual a empresa foi acusada de adulterar leite impróprio para consumo com ácido, com objetivo de reduzir a contaminação microbiológica, e também a operação “carne fraca”, em que frigoríficos foram acusados de adulterar as carnes para mercado interno e externo e, com isso, foi exposto o esquema de corrupção em órgãos fiscalizadores.

Outros tipos de fraudes alimentares que ocorrem sempre visando o ganho econômico são a falsificação, cópia de nome de marca, conceito de embalagem, formulação, substituição de um ingrediente de alto custo por outro de menor valor, a adição de cobertura sabor chocolate no lugar de chocolate ao leite (quando a informação na embalagem é de que o produto contém chocolate ao leite), a diluição, quando se mistura um ingrediente líquido de menor valor na fórmula com um ingrediente de alto valor, a fraude em azeite de oliva com adição de óleo de soja parcialmente em sua fórmula, a substituição ou adulteração (processo de adicionar materiais desconhecidos e não declarados a produtos alimentícios, a fim de melhorar seus atributos de qualidade, como o caso da adição de melamina no leite), rotulagem ou etiquetagem incorreta com a inclusão de falsas alegações, adulteração de lote e validade, ocultação de ingredientes presentes na fórmula na lista de ingredientes da embalagem, ocultação da presença de alergênicos, ou peso líquido informado menor do que o declarado no rótulo.

A maioria das fraudes em alimentos só pode ser comprovada por análises laboratoriais, mas o consumidor pode estar atento a alguns detalhes na hora da compra, como, por exemplo, verificar a data de validade do produto, observando se há sinais de adulteração, olhar outros produtos da mesma marca e comparar se a marcação de lote e validade está coerente, verificar as condições da embalagem e não comprar caso ela esteja violada, ler o rótulo, e, se tiver dificuldades, entrar em contato com o SAC – Serviço de Atendimento ao Consumidor da empresa.

Outra dica importante é prestar atenção à aparência, coloração e ao cheiro do alimento. Se desconfiar que ele não está apto para o consumo, entre em contato com o SAC da marca para informar o problema, pois é imprescindível que a empresa esteja ciente de que pode haver um problema com seus produtos. O contato com o consumidor é extremamente importante, visto que ajuda a empresa a melhorar seus processos de controle, garantindo não só a qualidade, mas também a segurança de seus produtos. Se a empresa for idônea, tentará descobrir junto ao consumidor a origem da fraude. No entanto, se a resposta do SAC não for satisfatória e o consumidor se sentir lesado, ele deve entrar em contato com a Vigilância Sanitária da sua cidade e informar o ocorrido, lembrando, sempre, de guardar o cupom fiscal e o produto, mesmo que ele esteja danificado, pois esta será a prova da reclamação.

É importante ressaltar que não é somente o consumidor que sofre com a fraude em alimentos. A indústria também pode sofrer fraude se não tiver um controle rigoroso na escolha de seus fornecedores. Por esse motivo, existe um programa dentro do sistema de qualidade e segurança de alimentos que deve ser implantado nas indústrias. Esse programa é chamado de “Food Fraud” ou “Fraude em Alimentos”, que avalia os tipos de fraude que podem acontecer dentro do processo produtivo ou do produto, quais os riscos e ameaças, qual a vulnerabilidade, como está o acesso ao produto, qual a origem das matérias-primas, embalagens e insumos, qual o tipo de vigilância deverá ser efetuada para identificar a probabilidade de fraude de produto e, assim, tentar evitá-la. As medidas de controle que devem ser postas em prática podem variar de acordo com a natureza da fraude, metodologia de detecção, tipo de vigilância e origem da matéria-prima, ingrediente ou material de embalagem. Treinamentos para os colaboradores das áreas de produção, qualidade e até mesmo do setor de compras também fazem parte do plano de mitigação de fraudes em alimentos.

Evite as “fake news”. Antes de repassar conteúdos sobre fraudes em alimentos verifique se a fonte é idônea.

*Patrícia Amarante é engenheira de alimentos e assessora técnica na área de alimentos do Sincabima– Sindicato das Indústrias de Cacau e Balas, Massas Alimentícias e Biscoitos, de Doces e Conservas Alimentícias do Paraná.

Edital de música da Casa Heitor encerra dia 31

Serão aceitas propostas de música popular urbana, instrumental brasileira, internacional e étnica

O Sesi Cultura Paraná está selecionando projetos culturais na área de Música para compor a programação de 2019 do Centro Cultural Casa Heitor Stockler de França em Curitiba. A seleção é de âmbito regional e interessados podem se inscrever até as 18h do dia 31 de janeiro. Serão aceitas propostas voltadas para todas as classes etárias.

O edital oferece duas modalidades de inscrição, são elas: “Vozes da Cidade e de Outras Cidades” e “Acordes na Casa” – projetos idealizados pela Gerência de Cultura do Sesi-PR e que ocorrem anualmente na Casa Heitor. O primeiro abre espaço para a música popular urbana, destinado aos compositores, músicos e intérpretes de canções locais ou autorais, num formato mais intimista de duos ou trios.

Acordes na Casa, por sua vez, contempla artistas profissionais da música instrumental brasileira, internacional e étnica. O objetivo é proporcionar à comunidade o acesso a diferentes gêneros da música instrumental, bem como fortalecer a cultura da região.

Todos os procedimentos legais para a apresentação de propostas e envio da documentação solicitada estão descritos para consulta no site www.fiepr.org.br, em Licitações, no número 902/2018. Os projetos serão selecionados por uma comissão avaliadora e os resultados serão divulgados exclusivamente no site do Sesi Paraná, ainda no primeiro semestre de 2019.

 

Mais informações:
www.sesipr.com.br/cultura

www.facebook.com/sesiculturapr

www.fiepr.org.br

 

 

Curitiba abre as cortinas para a Opereta

Gênero teatral tem a sua primeira montagem curitibana com estreia em fevereiro

CURITIBA, 04/01/2019 – Ela não é apenas uma pequena ópera encenada, sendo mais curta e leve e menos extravagante do que as obras tradicionais. A opereta dá um passo a mais ao permitir a coexistência do canto e da fala e ao aproximar o erudito do popular. Precursor da comédia musical, esse gênero de teatro se tornará mais acessível aos curitibanos durante o mês de fevereiro. É quando estreia a montagem “Janaína, não seja boba”, do diretor italiano Roberto Innocente, com música do maestro Alessandro Sangiorgi. Um projeto inusitado que carrega consigo o prêmio do Concurso de Dramaturgia do TCP e o incentivo do PROFICE.

Em Curitiba, algumas iniciativas já têm sido desenvolvidas na intenção de aproximar o público da Ópera. Uma delas, em especial, foi responsável por trazer para o Brasil o diretor Roberto Innocente e consolidar a sua parceria com o Maestro Alessandro Sangiorgi. Roberto veio de Pádova para Curitiba em 2005 a convite do Teatro Guaíra para dirigir “La Boheme”. Desde então, esses dois italianos, juntos, já dirigiram no Paraná projetos importantes, como: “La serva padrona” (ação do CCTG), “Livietta e Tracollo”  (projeto “Ópera Ilustrada”, na Capela Santa Maria), “L’occasione fa il ladro” (produção da Opera Orchestra Curytiba), entre tantas outras ações de impacto neste segmento.

Além dos projetos em comum, os dois parceiros de trabalho carregam como igualdade trajetórias artísticas importantes.  O maestro Alessandro Sangiorgi, que por nove anos atuou como regente titular e diretor artístico da Orquestra Sinfônica do Paraná, foi responsável pela ampliação do repertório sinfônico e pelo retorno das montagens de óperas no Centro Cultural Teatro Guaíra. Em 2009, recebeu o reconhecimento do governo italiano por sua trajetória cultural, sendo a ele conferida a Caveliere dell’Ordine della Solidarietá (Comenda da Estrela da Solidariedade Italiana).

Roberto Innocente é daqueles artistas plurais. Ator de teatro e cinema, dramaturgo, diretor, cenógrafo e artista plástico. É especializado em ópera lírica e commedia dell’arte. Na Europa, seguiu os ensinamentos de nomes consagrados, como Dario Fo e Carlo Boso. Na capital paranaense, fundou o grupo Arte da Comédia, do qual é diretor artístico. A companhia já tem mais de dez anos de trajetória marcados por premiações diversas.

O espetáculo com estreia em fevereiro, porém, se diferencia de todos os outros projetos que Innocente e Sangiorgi já tocaram em parceria. Innocente explica que, para além da ópera, a opereta é um gênero pouquíssimo difundido no Brasil e, quanto mais, no Paraná. “Nunca Curitiba investiu em uma montagem no estilo. Não é musical e não é ópera lírica. A opereta tem o diferencial de ter a música clássica como norte, mas mergulhar no popular em paralelo. Tanto quem aprecia óperas, quanto quem se identifica com a MPB ou o samba, por exemplo, encontrará referências em ‘Janaína, Não Seja Boba’. No mais, é uma comédia, o que garante muita diversão ao público”, reforça o diretor.

Para Sangiorgi, que já dirigiu musicalmente variadas óperas, o grande diferencial deste projeto foi a composição original. Todas as 27 músicas de “Janaína, Não Seja Boba” são de sua autoria. A inspiração veio de obras famosas na Ópera e de clássicos da música popular,  brasileira e italiana. “Há alusões a temas e partes de óperas conhecidas que se misturam a referências do texto. O público vai identificar homenagens a compositores que vão desde Puccini (com referência a La Boheme, por exemplo), Bizet (com Carmen), Rossini (com O Barbeiro de Sevilha) até Camargo Guarnieri, Carlos Gomes e Noel Rosa, entre outros”, explica o maestro.

Para colocar em prática essa empreitada, dez atores foram selecionados a dedo em um processo que incluiu análise de currículos, entrevistas e uma semana de intensa oficina de canto e interpretação. “Temos a honra de ter conseguido montar uma equipe com um belo repertório, são atores com vivência musical, extremamente talentosos, qualificados e repletos de entusiasmo para este projeto”, anima-se Roberto. Entre os atores está Daniel Siwek como um dos protagonistas.  Ator e músico de longa data, ele ficou nacionalmente conhecido por sua participação em novelas como “Os Dez Mandamentos” e “Jesus”, ambas da Rede Record.

O texto é uma “ópera na ópera” que se passa no Rio de Janeiro, em Angra dos Reis. O protagonista, Maestro Martins, faz anos tenta encenar a sua ópera prima; “Janaina não seja boba”. A sobrinha do Prefeito, Janaina, é apaixonada por Chico, mas o tio não quer que o namoro continue e tem a intenção de mandar Chico embora. Chegam à cidade Francisco e Miranda, cantora do varieté em fuga do Rio para casar contra a vontade do Beto, pai do Francisco. Ele, por sua vez, não quer o filho envolvido com uma artista considerada por ele pessoa indigna. Em meio aos desencontros amorosos, o Malandro da cidade, Thiaguinho, ao mesmo tempo que usa de suas estratégias para fazer uma grande confusão, lança mão de seu jogo de cintura para conduzir a trama a um final feliz – como nas tradicionais comédias. A ópera do Maestro Martins segue a mesma trama do espetáculo e, assim, os dois enredos se misturam e se confundem.

De autoria de Roberto, a dramaturgia foi premiada em concurso do Teatro de Comédia do Paraná sendo publicada na edição 2016 do livro Comédia Paranaense. Agora, com o incentivo do PROFICE (Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura) e o patrocínio da Copel, é que a peça sairá do livro diretamente para o palco do Teatro Barracão EnCena, ficando em cartaz no espaço de 6 de fevereiro a 3 de março, com ingressos a preços populares.

 

SERVIÇO

Opereta Musical “Janaína, Não Seja Boba”

Data: de 6 de fevereiro a 3 de março

Horários: De quarta a sábado, às 21hs. Domingos, às 19hs.

Valor: R$ 20,00 (inteira) R$ 10,00 (meia-entrada conforme a Lei e para estudantes e professores de escolas públicas, particulares e escolas de teatro, música e arte).

Venda: Os ingressos já estão à venda na bilheteria do Teatro Barracão EnCena. Informações sobre o horário de funcionamento da bilheteria em (41) 3223-5517.

Local: Teatro Barracão EnCena

Endereço: Rua Treze de Maio, 160 – Centro | Curitiba-PR

 

Ficha Técnica

Produção e Direção Cênica: Roberto Innocente

Música (original) e Direção Musical: Maestro Alessandro Sangiorgi

Livreto (original): Roberto Innocente

Cenário: Bira Paes e Roberto Innocente

Construção Cenário: Bira Paes e Equipe

Figurino: Sandra Francisca Canonico

Pianista (execução ao vivo) e Assistente de Direção Musical: Matheus Alborghetti

Maquiagem: Marcelino de Miranda

Iluminação: Clever D Freitas

Elenco: Joseane Berenda, Renet Lyon, Mariá Sallum, Daniel Siwek, Tarciso Fialho, Tiago Luz, Paulo Marques, Luana Godin, Monica Bezerra, Gideão Ferreira

Estagiária de Direção: Luna Madsen

Programação Visual: Douglas Borba e Bruna Capraro

Comunicação: Smartcom – Inteligência em Comunicação (41) 3039-3934

Contato com a imprensa: Camila Canassa (41) 9 9997-0615

Patrocínio: Copel (PROFICE)

Apoios: Teatro Barracão EnCena, Grupo Arte da Comédia/Art Brazilian Comedy, Misse Marià Comidaearte, Padaria America, Opera Orchestra Curytiba, Swiss-Terra da Batata