Clínica facilita inclusão de crianças com deficiência na escola

CERNE apoia seus pacientes com visitas aos professores e sugestão de adaptações

Desde a aprovação do Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/15), as escolas precisam assegurar a participação de todos os alunos em seu ambiente, sem exceção, em igualdade de condições. Mas como se faz uma inclusão eficaz?

A pedagoga do Centro de Excelência em Recuperação Neurológica (CERNE) Grazielle Tavares lamenta que, muitas vezes, as escolas não consigam buscar um modo diferente de ensinar. E é nesse momento que a clínica entra, para auxiliar na adaptação e oferecer maneiras diferentes de ensinar e socializar.

No CERNE, as crianças com idade escolar e transtorno do espectro autista frequentam a escola. Um caso positivo, em que escola e clínica vêm cooperando, é o de Vicenzzo, de 6 anos, que está sendo alfabetizado. “O CERNE orientou a escola a não usar o método analítico, ou seja, aquele que parte do todo para a parte (dos textos, das frases, das palavras para as unidades menores da língua, letras e sons), e sim o método fônico, com ênfase na associação entre fonemas e grafemas, ou seja, entre sons e letras”, conta a pedagoga Grazielle. O bacana é que as professoras da escola visitaram a clínica e vice-versa, todos buscando o melhor interesse do garoto, que é atendido também por psicólogo, terapeuta ocupacional e musicoterapeuta.

A mãe, a conselheira tutelar Danyelle Rodrigues, conta que precisou trocar de escola duas vezes em busca do acolhimento desejado para o garoto. “Na escola anterior, percebia que a maneira como lidavam com as situações era inadequada”, conta. Já na Escola Adventista Vista Alegre houve a abertura desde o início para que uma professora auxiliar acompanhasse seu filho.

Outra adaptação realizada foi o uso de materiais próprios para o garoto. Quando é preciso, eles são afixados ao livro.  A escola também consegue identificar momentos em que o menino precisa sair da sala para manter seu bom desempenho. Nessas ocasiões, ele é levado para outra atividade, como pesquisar na biblioteca – o que ele adora. “Ele teve a fase dos dinossauros, depois o fundo do mar e agora gosta de livros, como a história de Davi contra Golias e os monstros”, conta a mãe.

Videoaulas

Outro caso de muita cooperação entre o CERNE e a escola é o de João Arthur Kaminski Oliveira, de 17 anos. Desde cedo, ele tem tido bons resultados no ambiente escolar, graças ao acompanhamento da família e dos terapeutas.

Paciente com Síndrome de Joubert, sua limitação é visual, e não cognitiva. “Ele sempre acompanhou muito bem todas as disciplinas, e nas atividades de esporte participa dentro de suas possibilidades”, conta a mãe, Elisabete Kaminski. Estudante do 1º ano do Ensino Médio no Colégio Nossa Senhora Medianeira, João tem usado áudios e adaptações táteis, além do ábaco japonês (Soroban). Na escola, foram feitas uma tabela periódica e um sistema circulatório táteis, material adaptado que depois pode ser útil para jovens com outras patologias.

“A capacidade dele pode até ser maior que a dos colegas, como é o caso no estudo de história”, diz a mãe. “Ele estuda muito com videoaulas e às vezes vai para a prova sabendo mais do que o conteúdo pedido, e até questiona o professor.”

Desde a chegada da Lei Brasileira de Inclusão (Estatuto da Pessoa com Deficiência), a própria escola fornece o profissional de apoio pedagógico, com uma equipe composta por psicólogos e pedagogos. A supervisora do centro de inclusão do Medianeira, Karolina Marianni Vargas, explica que a chegada do Estatuto da Pessoa com Deficiência ajudou a criar diretrizes para o trabalho. “Todos precisam ser incluídos dentro de suas necessidades, não podemos ter um olhar apenas para a dimensão acadêmica, mas também para a socioemocional, enfim para a formação integral”, salienta. O Medianeira tem matriculados 140 alunos com algum diagnóstico que requer cuidados, e 29 são acompanhados por um dos 11 profissionais de apoio.

“No caso do João, usamos materiais concretos e provas orais. Por sugestão da professora de biologia, um grupo de colegas fez áudios com o conteúdo que iria cair na prova e passou para ele”, exemplifica Karolina.

Outro desafio é ajudar os pais a aceitarem o ritmo diferente de aprendizado do filho, e entender que, algumas vezes, é necessária a professora de apoio. “Qualquer pessoa pode precisar de auxílio ao longo da vida”, salienta Grazielle.

A lei exige que o poder público assegure “a participação da pessoa com deficiência em jogos e atividades recreativas, esportivas, de lazer, culturais e artísticas, inclusive no sistema escolar, em igualdade de condições com as demais pessoas”.

 

 

Desfralde de criança autista requer planejamento e persistência

Terapeuta ocupacional do CERNE dá dicas para auxiliar famílias que buscam maior independência e conforto

 Com a chegada do calor é hora de treinar seu filho para a retirada da fralda, um processo que requer paciência e parceria de família e escola. O processo é ainda mais complexo quando se trata de crianças e adolescentes autistas, que podem levar alguns anos até a adaptação completa, alerta a terapeuta ocupacional Syomara Smidiziuk, do Centro de Excelência em Recuperação Neurológica (CERNE). “O prêmio é a independência e maior conforto para eles”, afirma. O CERNE tem realizado com sucesso o desfralde de crianças e adolescentes com dificuldades motoras, cognitivas e pessoas com transtorno do espectro autista.

A retirada da fralda para a pessoa com deficiência precisa seguir três etapas: a observação dos hábitos e preenchimento de uma tabela de horários de ida ao banheiro por no mínimo 15 dias, a análise da tabela e organização do plano de ação. Depois, é necessário persistir por no mínimo três semanas com o mesmo plano, sabendo que os escapes são normais.

Dicas práticas para o plano de ação envolvem a antecipação (levar a criança ao banheiro 10 minutos antes do horário marcado); proporcionar a familiaridade com o banheiro que será utilizado; apoiar os pés, usando um banquinho ou adaptadores, sentar a criança ereta e deixar que ela escolha a melhor posição; e estimular a bexiga com massagem, se necessário. A meta é levá-la seis vezes por dia ao banheiro, ficando no máximo cinco minutos cada vez.

“Não use o banheiro como uma brincadeira; não pergunte se ela quer ir, apenas conduza; e, muito importante: para crianças com dificuldade de comunicação, use gestos, sinais ou fotos”, ensina Syomara. Outra sugestão é adotar uma recompensa exclusiva para a ida ao banheiro e manter as fraldas somente para dormir ou sair de casa.

É importante certificar-se que não existe uma explicação médica para a dificuldade na retirada, como o comprometimento da bexiga. “Mas, em geral, o processo tem muito mais a ver com a organização familiar do que com um mau funcionamento do corpo”, explica a terapeuta. As famílias que necessitarem podem contar com o auxílio da terapia ocupacional nessa importante transição.

É importante ainda que a escola esteja em sintonia com a família e o terapeuta, seguindo um plano de ação único. Caroline Fardoski Kloss conta que o trabalho para o desfralde do filho Octávio, de quase 4 anos, começou com a linguagem. “Usamos imagens numa sequência e coloquei no banheiro, mostrando os passos”, conta. “Logo ele começou a entender.”

Ainda falta completar o processo, porque, em alguns casos, quando sente vontade de ir ao banheiro, o menino se esconde. “As terapeutas do CERNE me ajudaram a saber como agir, a não repreender e sim parabenizar. Vejo que ele está mais independente do que era”, comemora.

Outras dica é usar jogos e aplicativos para a família que ensinam a ir ao banheiro, como “Pepi Play” e “Potty Training”.

Desafios

As maiores dificuldades enfrentadas pelas crianças autistas durante o desfralde costumam envolver quatro áreas: linguagem (entender o estímulo do adulto relacionado à ida ao banheiro); vestuário (demora ou incapacidade de retirar as roupas); o próprio medo de se sentar no vaso ou do barulho da descarga; e o conhecimento do corpo (ele pode não perceber a roupa molhada).

“Toda criança é capaz de sair das fraldas, desde que não haja uma patologia urológica”, assegura Syomara. Além da independência proporcionada à criança ou adolescente, o desfralde previne casos de infecção urinária, mau cheiro e o desconforto do paciente. Outra vantagem é a menor quantidade de laxante necessário para o bom funcionamento do organismo.

Técnica de estimulação cerebral auxilia na recuperação de pacientes com doenças do sistema nervoso

Fisioterapia com neuromodulação é indolor e não-invasiva

A neuromodulação consiste na aplicação de um campo elétrico ou magnético que modifica e modula o Sistema Nervoso Central ou Periférico. Segundo a fisioterapeuta e sócia do Centro de Excelência em Recuperação Neurológica (CERNE), Mariana Carvalho Krueger, a técnica é utilizada no tratamento de pacientes com dores crônicas, Doença de Parkinson, Acidente Vascular Encefálico (AVE), traumatismo raquimedular e traumatismo cranioencefálico, esclerose múltipla, paralisia cerebral e autismo.

A prática se dá por meio da aplicação de corrente contínua de baixa intensidade sobre o crânio, a qual é capaz de gerar excitabilidade ou inibição cortical e, assim interferir no desempenho de diferentes funções neurológicas. Desta forma, o procedimento pode influenciar as funções motoras, sensoriais e cognitivas. Já os efeitos dependem principalmente da polaridade de corrente aplicada, da intensidade, do tempo de aplicação, da área estimulada e da densidade desta corrente.

A Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua (ETCC) consiste na aplicação de correntes contínuas de baixa intensidade (de 1 a 2 mil ampéres) por meio de eletrodos colocados sobre o couro cabeludo, para aumentar ou inibir a atividade elétrica de determinadas áreas do cérebro e, desta forma, modular a excitabilidade cortical e interferir no desempenho de diferentes funções. O aparelho é constituído basicamente por quatro componentes principais: eletrodos (ânodo e cátodo), amperímetro (medidor de amplitude de corrente elétrica), potenciômetro (componente que permite a manipulação da amplitude da corrente) e baterias para gerar a corrente aplicada. “A técnica é indolor, o paciente sente apenas um leve formigamento no local”, destaca a fisioterapeuta.

Já a Estimulação Magnética Transcraniana (EMT) utiliza os princípios da indução eletromagnética para produzir correntes iônicas focais no cérebro de indivíduos conscientes. A corrente induzida tem a capacidade de despolarizar neurônios ou modular a atividade neural.

O estimulador magnético é composto por duas unidades principais, uma bobina e um gerador de corrente. Para interferir na atividade neuronal, a bobina deve ser posicionada sobre o escalpo do indivíduo e direcionada para a área de interesse. A mudança constante da orientação da corrente elétrica dentro da bobina é capaz de gerar um campo magnético, induzindo correntes elétricas em áreas corticais, as quais podem despolarizar neurônios e gerar potenciais de ação que fazem a neuromodulação.

Segundo a fisioterapeuta, o procedimento das duas correntes tem sido utilizado com resultados positivos na recuperação motora e principalmente na instabilidade postural de pacientes que enfrentam a doença de Parkinson,  na espaticidade e aprendizado motor pós AVC, depressão e para melhora da memória e das habilidades motoras e cognitivas.

Em nenhum dos casos é preciso raspar o cabelo do paciente. “No caso da EMT, como é preciso acoplar perfeitamente a bobina na região e mantê-la imóvel durante a aplicação, poderá ser usada uma toca, que impede a bobina de escorregar”, explica Mariana.

SERVIÇO:

CERNE – Centro de Excelência em Recuperação Neurológica
Avenida Presidente Getúlio Vargas, 4390 – Vila Izabel
Telefone: 41 3092-6366

Programação gratuita discute diferentes formas de tratamentos para o autismo

Dia Mundial da Consciência do Autismo é comemorado no dia 02 de abril 

O Centro de Excelência em Recuperação Neurológica (CERNE) promove, entre os dias 02 e 08 de abril, a Semana da Conscientização do Autismo. A programação gratuita é direcionada para pacientes, familiares e responsáveis que enfrentam o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Palestras, rodas de conversas, terapia assistida por animais, circuito funcional adaptado e caminhada no Parque Barigui fazem parte da programação.

Para abrir a semana, na segunda-feira, 02, data em que é comemorado o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, as fisioterapeutas habilitadas para realização do protocolo, Vanessa Sayuri e Mariana Carvalho, falarão sobre a neuromodulação.  As musicoterapeutas do Centro, Barbara Virgínia Cardoso Faria e Giovana Balzer, comandarão uma roda de conversa sobre musicoterapia. O psicólogo Tiago Bara falará sobre mitos e verdades sobre o TEA.

No dia 03, políticas nacionais de proteção dos direitos da pessoa com TEA será o tema da palestra do advogado Michel Zeghbi. A neuropediatra Marília Matos, que atua no Hospital Pequeno Príncipe, falará sobre tratamentos, o que há comprovação científíca e o que ainda não.  Ainda na terça-feira, a neuropediatra Mariane Wehmuth ministrará uma palestra sobre autismo e inclusão escolar.

Outro tema que será destaque na programação é o ABA (Applied Behavior Analysis) – Análise do Comportamento Aplicada, uma terapia estruturada que possibilita o aumento do repertório comportamental a partir do reforço positivo e fornece formas mais adequadas de interação ao paciente. Segundo a psicóloga do CERNE, Giulianna Kume, “o programa ABA é desenvolvido de acordo com as particularidades e necessidades do paciente e envolve tarefas gradativas para melhorar comunicação, interação, socialização e independência”, completa. O método será tema da palestra ministrada na quarta-feira, 04, às 9h, pelas especialistas Camyla Guinge e Fernanda Luiza.

Para fechar a semana, no domingo, 08, às 11h, uma caminhada no Parque Barigui, em parceria com outras instituições de saúde, será promovida para chamar a atenção da população sobre o autismo. As palestras serão realizadas na sede do CERNE, localizada na Av. Getúlio Vargas, 4390, Vila Izabel. A participação é gratuita e as vagas são limitadas. Mais informações pelo telefone 41 3092.6366.

Confira a programação completa: