Edital de música da Casa Heitor encerra dia 31

Serão aceitas propostas de música popular urbana, instrumental brasileira, internacional e étnica

O Sesi Cultura Paraná está selecionando projetos culturais na área de Música para compor a programação de 2019 do Centro Cultural Casa Heitor Stockler de França em Curitiba. A seleção é de âmbito regional e interessados podem se inscrever até as 18h do dia 31 de janeiro. Serão aceitas propostas voltadas para todas as classes etárias.

O edital oferece duas modalidades de inscrição, são elas: “Vozes da Cidade e de Outras Cidades” e “Acordes na Casa” – projetos idealizados pela Gerência de Cultura do Sesi-PR e que ocorrem anualmente na Casa Heitor. O primeiro abre espaço para a música popular urbana, destinado aos compositores, músicos e intérpretes de canções locais ou autorais, num formato mais intimista de duos ou trios.

Acordes na Casa, por sua vez, contempla artistas profissionais da música instrumental brasileira, internacional e étnica. O objetivo é proporcionar à comunidade o acesso a diferentes gêneros da música instrumental, bem como fortalecer a cultura da região.

Todos os procedimentos legais para a apresentação de propostas e envio da documentação solicitada estão descritos para consulta no site www.fiepr.org.br, em Licitações, no número 902/2018. Os projetos serão selecionados por uma comissão avaliadora e os resultados serão divulgados exclusivamente no site do Sesi Paraná, ainda no primeiro semestre de 2019.

 

Mais informações:
www.sesipr.com.br/cultura

www.facebook.com/sesiculturapr

www.fiepr.org.br

 

 

Curitiba abre as cortinas para a Opereta

Gênero teatral tem a sua primeira montagem curitibana com estreia em fevereiro

CURITIBA, 04/01/2019 – Ela não é apenas uma pequena ópera encenada, sendo mais curta e leve e menos extravagante do que as obras tradicionais. A opereta dá um passo a mais ao permitir a coexistência do canto e da fala e ao aproximar o erudito do popular. Precursor da comédia musical, esse gênero de teatro se tornará mais acessível aos curitibanos durante o mês de fevereiro. É quando estreia a montagem “Janaína, não seja boba”, do diretor italiano Roberto Innocente, com música do maestro Alessandro Sangiorgi. Um projeto inusitado que carrega consigo o prêmio do Concurso de Dramaturgia do TCP e o incentivo do PROFICE.

Em Curitiba, algumas iniciativas já têm sido desenvolvidas na intenção de aproximar o público da Ópera. Uma delas, em especial, foi responsável por trazer para o Brasil o diretor Roberto Innocente e consolidar a sua parceria com o Maestro Alessandro Sangiorgi. Roberto veio de Pádova para Curitiba em 2005 a convite do Teatro Guaíra para dirigir “La Boheme”. Desde então, esses dois italianos, juntos, já dirigiram no Paraná projetos importantes, como: “La serva padrona” (ação do CCTG), “Livietta e Tracollo”  (projeto “Ópera Ilustrada”, na Capela Santa Maria), “L’occasione fa il ladro” (produção da Opera Orchestra Curytiba), entre tantas outras ações de impacto neste segmento.

Além dos projetos em comum, os dois parceiros de trabalho carregam como igualdade trajetórias artísticas importantes.  O maestro Alessandro Sangiorgi, que por nove anos atuou como regente titular e diretor artístico da Orquestra Sinfônica do Paraná, foi responsável pela ampliação do repertório sinfônico e pelo retorno das montagens de óperas no Centro Cultural Teatro Guaíra. Em 2009, recebeu o reconhecimento do governo italiano por sua trajetória cultural, sendo a ele conferida a Caveliere dell’Ordine della Solidarietá (Comenda da Estrela da Solidariedade Italiana).

Roberto Innocente é daqueles artistas plurais. Ator de teatro e cinema, dramaturgo, diretor, cenógrafo e artista plástico. É especializado em ópera lírica e commedia dell’arte. Na Europa, seguiu os ensinamentos de nomes consagrados, como Dario Fo e Carlo Boso. Na capital paranaense, fundou o grupo Arte da Comédia, do qual é diretor artístico. A companhia já tem mais de dez anos de trajetória marcados por premiações diversas.

O espetáculo com estreia em fevereiro, porém, se diferencia de todos os outros projetos que Innocente e Sangiorgi já tocaram em parceria. Innocente explica que, para além da ópera, a opereta é um gênero pouquíssimo difundido no Brasil e, quanto mais, no Paraná. “Nunca Curitiba investiu em uma montagem no estilo. Não é musical e não é ópera lírica. A opereta tem o diferencial de ter a música clássica como norte, mas mergulhar no popular em paralelo. Tanto quem aprecia óperas, quanto quem se identifica com a MPB ou o samba, por exemplo, encontrará referências em ‘Janaína, Não Seja Boba’. No mais, é uma comédia, o que garante muita diversão ao público”, reforça o diretor.

Para Sangiorgi, que já dirigiu musicalmente variadas óperas, o grande diferencial deste projeto foi a composição original. Todas as 27 músicas de “Janaína, Não Seja Boba” são de sua autoria. A inspiração veio de obras famosas na Ópera e de clássicos da música popular,  brasileira e italiana. “Há alusões a temas e partes de óperas conhecidas que se misturam a referências do texto. O público vai identificar homenagens a compositores que vão desde Puccini (com referência a La Boheme, por exemplo), Bizet (com Carmen), Rossini (com O Barbeiro de Sevilha) até Camargo Guarnieri, Carlos Gomes e Noel Rosa, entre outros”, explica o maestro.

Para colocar em prática essa empreitada, dez atores foram selecionados a dedo em um processo que incluiu análise de currículos, entrevistas e uma semana de intensa oficina de canto e interpretação. “Temos a honra de ter conseguido montar uma equipe com um belo repertório, são atores com vivência musical, extremamente talentosos, qualificados e repletos de entusiasmo para este projeto”, anima-se Roberto. Entre os atores está Daniel Siwek como um dos protagonistas.  Ator e músico de longa data, ele ficou nacionalmente conhecido por sua participação em novelas como “Os Dez Mandamentos” e “Jesus”, ambas da Rede Record.

O texto é uma “ópera na ópera” que se passa no Rio de Janeiro, em Angra dos Reis. O protagonista, Maestro Martins, faz anos tenta encenar a sua ópera prima; “Janaina não seja boba”. A sobrinha do Prefeito, Janaina, é apaixonada por Chico, mas o tio não quer que o namoro continue e tem a intenção de mandar Chico embora. Chegam à cidade Francisco e Miranda, cantora do varieté em fuga do Rio para casar contra a vontade do Beto, pai do Francisco. Ele, por sua vez, não quer o filho envolvido com uma artista considerada por ele pessoa indigna. Em meio aos desencontros amorosos, o Malandro da cidade, Thiaguinho, ao mesmo tempo que usa de suas estratégias para fazer uma grande confusão, lança mão de seu jogo de cintura para conduzir a trama a um final feliz – como nas tradicionais comédias. A ópera do Maestro Martins segue a mesma trama do espetáculo e, assim, os dois enredos se misturam e se confundem.

De autoria de Roberto, a dramaturgia foi premiada em concurso do Teatro de Comédia do Paraná sendo publicada na edição 2016 do livro Comédia Paranaense. Agora, com o incentivo do PROFICE (Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura) e o patrocínio da Copel, é que a peça sairá do livro diretamente para o palco do Teatro Barracão EnCena, ficando em cartaz no espaço de 6 de fevereiro a 3 de março, com ingressos a preços populares.

 

SERVIÇO

Opereta Musical “Janaína, Não Seja Boba”

Data: de 6 de fevereiro a 3 de março

Horários: De quarta a sábado, às 21hs. Domingos, às 19hs.

Valor: R$ 20,00 (inteira) R$ 10,00 (meia-entrada conforme a Lei e para estudantes e professores de escolas públicas, particulares e escolas de teatro, música e arte).

Venda: Os ingressos já estão à venda na bilheteria do Teatro Barracão EnCena. Informações sobre o horário de funcionamento da bilheteria em (41) 3223-5517.

Local: Teatro Barracão EnCena

Endereço: Rua Treze de Maio, 160 – Centro | Curitiba-PR

 

Ficha Técnica

Produção e Direção Cênica: Roberto Innocente

Música (original) e Direção Musical: Maestro Alessandro Sangiorgi

Livreto (original): Roberto Innocente

Cenário: Bira Paes e Roberto Innocente

Construção Cenário: Bira Paes e Equipe

Figurino: Sandra Francisca Canonico

Pianista (execução ao vivo) e Assistente de Direção Musical: Matheus Alborghetti

Maquiagem: Marcelino de Miranda

Iluminação: Clever D Freitas

Elenco: Joseane Berenda, Renet Lyon, Mariá Sallum, Daniel Siwek, Tarciso Fialho, Tiago Luz, Paulo Marques, Luana Godin, Monica Bezerra, Gideão Ferreira

Estagiária de Direção: Luna Madsen

Programação Visual: Douglas Borba e Bruna Capraro

Comunicação: Smartcom – Inteligência em Comunicação (41) 3039-3934

Contato com a imprensa: Camila Canassa (41) 9 9997-0615

Patrocínio: Copel (PROFICE)

Apoios: Teatro Barracão EnCena, Grupo Arte da Comédia/Art Brazilian Comedy, Misse Marià Comidaearte, Padaria America, Opera Orchestra Curytiba, Swiss-Terra da Batata

Clínica facilita inclusão de crianças com deficiência na escola

CERNE apoia seus pacientes com visitas aos professores e sugestão de adaptações

Desde a aprovação do Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/15), as escolas precisam assegurar a participação de todos os alunos em seu ambiente, sem exceção, em igualdade de condições. Mas como se faz uma inclusão eficaz?

A pedagoga do Centro de Excelência em Recuperação Neurológica (CERNE) Grazielle Tavares lamenta que, muitas vezes, as escolas não consigam buscar um modo diferente de ensinar. E é nesse momento que a clínica entra, para auxiliar na adaptação e oferecer maneiras diferentes de ensinar e socializar.

No CERNE, as crianças com idade escolar e transtorno do espectro autista frequentam a escola. Um caso positivo, em que escola e clínica vêm cooperando, é o de Vicenzzo, de 6 anos, que está sendo alfabetizado. “O CERNE orientou a escola a não usar o método analítico, ou seja, aquele que parte do todo para a parte (dos textos, das frases, das palavras para as unidades menores da língua, letras e sons), e sim o método fônico, com ênfase na associação entre fonemas e grafemas, ou seja, entre sons e letras”, conta a pedagoga Grazielle. O bacana é que as professoras da escola visitaram a clínica e vice-versa, todos buscando o melhor interesse do garoto, que é atendido também por psicólogo, terapeuta ocupacional e musicoterapeuta.

A mãe, a conselheira tutelar Danyelle Rodrigues, conta que precisou trocar de escola duas vezes em busca do acolhimento desejado para o garoto. “Na escola anterior, percebia que a maneira como lidavam com as situações era inadequada”, conta. Já na Escola Adventista Vista Alegre houve a abertura desde o início para que uma professora auxiliar acompanhasse seu filho.

Outra adaptação realizada foi o uso de materiais próprios para o garoto. Quando é preciso, eles são afixados ao livro.  A escola também consegue identificar momentos em que o menino precisa sair da sala para manter seu bom desempenho. Nessas ocasiões, ele é levado para outra atividade, como pesquisar na biblioteca – o que ele adora. “Ele teve a fase dos dinossauros, depois o fundo do mar e agora gosta de livros, como a história de Davi contra Golias e os monstros”, conta a mãe.

Videoaulas

Outro caso de muita cooperação entre o CERNE e a escola é o de João Arthur Kaminski Oliveira, de 17 anos. Desde cedo, ele tem tido bons resultados no ambiente escolar, graças ao acompanhamento da família e dos terapeutas.

Paciente com Síndrome de Joubert, sua limitação é visual, e não cognitiva. “Ele sempre acompanhou muito bem todas as disciplinas, e nas atividades de esporte participa dentro de suas possibilidades”, conta a mãe, Elisabete Kaminski. Estudante do 1º ano do Ensino Médio no Colégio Nossa Senhora Medianeira, João tem usado áudios e adaptações táteis, além do ábaco japonês (Soroban). Na escola, foram feitas uma tabela periódica e um sistema circulatório táteis, material adaptado que depois pode ser útil para jovens com outras patologias.

“A capacidade dele pode até ser maior que a dos colegas, como é o caso no estudo de história”, diz a mãe. “Ele estuda muito com videoaulas e às vezes vai para a prova sabendo mais do que o conteúdo pedido, e até questiona o professor.”

Desde a chegada da Lei Brasileira de Inclusão (Estatuto da Pessoa com Deficiência), a própria escola fornece o profissional de apoio pedagógico, com uma equipe composta por psicólogos e pedagogos. A supervisora do centro de inclusão do Medianeira, Karolina Marianni Vargas, explica que a chegada do Estatuto da Pessoa com Deficiência ajudou a criar diretrizes para o trabalho. “Todos precisam ser incluídos dentro de suas necessidades, não podemos ter um olhar apenas para a dimensão acadêmica, mas também para a socioemocional, enfim para a formação integral”, salienta. O Medianeira tem matriculados 140 alunos com algum diagnóstico que requer cuidados, e 29 são acompanhados por um dos 11 profissionais de apoio.

“No caso do João, usamos materiais concretos e provas orais. Por sugestão da professora de biologia, um grupo de colegas fez áudios com o conteúdo que iria cair na prova e passou para ele”, exemplifica Karolina.

Outro desafio é ajudar os pais a aceitarem o ritmo diferente de aprendizado do filho, e entender que, algumas vezes, é necessária a professora de apoio. “Qualquer pessoa pode precisar de auxílio ao longo da vida”, salienta Grazielle.

A lei exige que o poder público assegure “a participação da pessoa com deficiência em jogos e atividades recreativas, esportivas, de lazer, culturais e artísticas, inclusive no sistema escolar, em igualdade de condições com as demais pessoas”.